"Tá na época?" Frase em extinção.

Bergamotas não deveriam ser consumidas no verão!


Eu também aconselho que você pare de comer melancia no inverno e não coma kiwis nunca, a não ser que você more na Nova Zelândia ou tenha certeza de estar comprando dos pouquíssimos produtores daqui do Brasil.


Você já percebeu a gama de produtos nos supermercados hoje em dia? Tem cereja dos Estados Unidos, tem pêra da Argentina, tem alho da China. Tem tangerina o ano inteiro, produtos que não são daqui, alimentos que não são de agora.


Levando em conta que os grandes supermercados surgiram há 50 anos atrás, é evidente que isso tudo é muito recente. Antes disso, nossa dieta era baseada na sazonalidade e na produção local. E isso é equilibrado e eficaz, afinal, a natureza é muito inteligente. É por isso que a época da tangerina é justamente aquela que precisamos mais de vitamina C, rica na fruta.

Por que não paramos para refletir antes de comprar cada produto que iremos consumir?

Exagero? Não. É extremamente importante que a gente reflita sobre a sazonalidade dos produtos que consumimos e sobre o processo pelo qual o alimento passa até chegar na nossa mesa.


Porque insistimos em comprar alimentos sem se perguntar se está na época, se foi produzido por perto, se obedeceu preceitos básicos de justiça social e de sustentabilidade? O simples fato de estar ao nosso alcance, literalmente a frente de nossos olhos, faz com que criemos hábitos de consumo sem pensar no que (e quem) há por trás de cada produto.

Vamos ilustrar isso de uma maneira um pouco mais prática. O que você comeu hoje? Fruta, carboidrato, carne e salada. Se teve em sua mesa mostarda, laranja, feijão, chuchu, batata doce, maçã você não sabe nada de sazonalidade. Não é que sejamos pessoas ruins querendo alimentar a economia chinesa ou sem interesse na economia local. O grande problema é que estamos desinformados e desconectados do ciclo de produção dos nossos alimentos, do campo e, principalmente, do produtor rural.


Não precisa deixar de comer cereja porque ela não é produzida no Brasil. Ninguém gosta de extremismos. Mas começar a pensar sobre a origem dos alimentos, sobre sua produção e sobre sazonalidade é o primeiro passo em direção a um consumo mais consciente. Começa devagar, lendo rótulos, comprando na feira, consumindo alimentos mais frescos.

É possível modificar nossos hábitos de consumo. É possível que sejamos mais sustentáveis, mais econômicos, mais inteligentes. Isso vai trazer melhorias imensas para a nossa cadeia de produção, para a nossa saúde, para a economia local e para o planeta. Nosso corpo está em equilíbrio com natureza, acredite!


Se você está disposto a tentar mudar esses hábitos de consumo e se conectar melhor ao produtor rural, à natureza e ao seu corpo, aí vão algumas dicas que vale a pena seguir:


- Evite o desperdício! (planeje suas compras, utilize todas as partes comestíveis do alimento e reaproveite sobras das refeições). Um terço da produção mundial de alimento é desperdiçado todo ano, isso poderia alimentar 840 milhões de pessoas que passam fome todos os dias.


- Respeite a sazonalidade. Todo produto tem época adequada de plantio, maturação e colheita, ou seja, precisamos respeitar o tempo e consumir produtos mais frescos e nutritivos.


- Leve em conta o produtor local! Produtos que vem de muito longe para suprir a sua demanda de consumo poluem no transporte e se tornam mais caros e de menos qualidade por englobar diferentes processos até chegar a sua mesa. Então leia os rótulos para saber de onde veio o produto e consuma dos produtores à sua volta.

840 MILHÕES DE PESSOAS PASSAM FOME NO MUNDO

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